(por Constantino Jacob)

O ano era 1993. Nesta época, eu trabalhava com um banco de dados relacional chamado XDB (XDB Enterprise Server - não tem nada haver com o Oracle XDB) e sofria indo para o Pólo Petroquímico à noite, devido há algum travamento do mesmo. Não era fácil. O XDB rodava sob o OS/2 - estável como uma rocha - mas o banco era ruim mesmo.

O XDB, se comparado com as bases dBase e com meus trabalhos com Clipper, era uma revolução. Pelo menos eu achava isso.

Neste mesmo ano, Joaquim Godinho, meu amigo de longas datas, me falava maravilhas de um tal SGBD Oracle. Extremamente caro, mas extremamente poderoso. Fazer um update e bloquear a tabela inteira? Bloquear uma página? Ah, isso não existia com o Oracle 7 - o bloqueio era por registro - e demoraria muito tempo para a concorrência chegar neste nível. Tive que esperar um ano para ter a oportunidade de trabalhar com o Oracle. E tal fato me deixou muito mal acostumado.

Não havia Internet da forma como conhecemos hoje (e consequentemente, não havia Oracle Technet e Metalink - os sites de suporte online da Oracle) e sequer vinha alguma documentação em CD-ROM. O cliente que comprava o Oracle 7 recebia de 10 a 15 livros sobre o banco (e o produto vinha em fitas DAT). Eu até diria que não havia BUGs. O erro era sempre do desenvolvedor. Completando o quadro, eu ainda trabalhava com o Oracle Forms 4.5 que, para mim, continua sendo a IDE mais produtiva que eu já vi. Pena que a ferramenta parou de evoluir (mas isso é assunto para outro blog) . . .

Mal qual o motivo deste saudosismo? Não, não é saudade. Depois de muitos anos de estrada, e tendo visto diversos ambientes diferentes, eu constatei que a maioria dos sistemas são desenvolvidos como se fossem rodar no… Oracle 7! Se criam as tabelas, as chaves primárias, constraints de integridade referencial, e quando muito triggers e stored procedures. Tecnologias disponíveis no produto desde 1992.

Esses recursos são ótimos, mas são básicos. Os outros recursos que vieram com as outras versões basicamente não são usados. Suporte a OO - a falta de uma padronização, que só foi retomada no ANSI-SQL99, prejudicou a sua adoção. Mas o Oracle já o utiliza desde a versão 8. E se houvesse algum problema de programação, que você não conseguisse resolver com PL/SQL ? Java Stored Procedure nele, disponível a partir do Oracle 8i. São centenas de recursos. Indices baseados em funções (8i, 9i). Consultas hierarquicas, merge, External Tables, Tecnologia FlashBack, expressões regulares, envio de email pelo banco, suporte ao XML. A cada versão, mais novidades.

Não estou dizendo aqui que o desenvolvedor tenha que usar todos, mas pelo menos, deveria conhecer os principais recursos. O site http://otn.oracle.com disponibiliza uma vasta documentação sobre o produto. Nós, da Polo-iT, sempre que possível indicamos qual o melhor recurso presente no Oracle para resolver determinado problema. Os clientes geralmente ficam surpresos com a versatilidade do produto (e eu estou me prendendo apenas nos recursos mais voltados para o desenvolvimento). O assunto é vasto, terei muito o que escrever.

Um abraço a todos e até o próximo post.

Constantino Jacob   Polo iT - Constantino Jacob -  Polo iT


Constantino Jacob é DBA Oracle há 10 anos além de especialista em infraestrutura para aplicações Java x Oracle e desenvolvimento em plataforma Oracle. Como sócio da Polo-iT, atua na gerência de Tecnologia e faz parte do núcleo de desenvolvimento das ferramentas de monitoria do DBA Center.