(por Robson Dias) Os que defendem a máxima de que: “…o que está funcionando não requer upgrade…”, versão moderna do “…em time que está ganhando não se mexe…”, não são páreos para a velocidade da tecnologia.
Pensando nisto, lembrei de um artigo que lí a alguns anos sobre Ned Ludd, líder do movimento luddita e responsável por excessos que começaram em uma simples aversão ao novo, à expansão tecnológica e consequentemente substituição da manufatura pela indústria, conhecida mais tarde como Revolução Industrial.
Ned Ludd deu início à rebelião contra a Revolução Industrial e às tecnologias implantadas principalmente na indústria têxtil. As investidas de Ludd e seus seguidores contra a modernização, podem ser comparadas às dos nossos contemporâneos “Sem Terra”. Invadiram fábricas, detruíram teares, e ameaçaram matar quem os tentasse impedir.
Só para termos uma idéia do teor das ameaças do “General Ludd” - como passou a ser chamado - transcreví a carta abaixo, recebida pelo dono de uma tecelagem do leste da Inglaterra.
“Possuímos informações de que você é um dos proprietários que têm um desses detestáveis teares mecânicos e meus homens me encarregaram de escrever-lhe, fazendo uma advertência para você se desfazer deles…atente para que se eles não forem despachados até o final da próxima semana enviarei um dos meus lugar-tenentes com uns 300 homens para destruí-los, e, além, disso, tome nota de que se você nos causar problemas aumentaremos o seu infortúnio queimando o seu edifício reduzindo-o a cinzas; se você tiver o atrevimento de disparar contra os meus homens, eles têm ordem de assassiná-lo e de queimar a sua casa. Assim você terá a bondade de informar aos seus vizinhos de que esperem o mesmo destino se os seus tricotadores não sejam rapidamente desativados…”
Ass.: General Ludd, março de 1812.
Imaginem um Neoluddita em dias atuais enviando uma carta (mesmo porque não o faria via e-mail) a Bill Gates ou Larry Ellison, ameaçando-os para abortar o lançamento do Windows 7 ou o Oracle 11?!
Claro que um movimento com este nível de truculência não teria como seguir adiante. Mas, ainda assim, não há como deixarmos de lembrar que convivemos no dia a dia com pessoas com aversão (porém incomparavelmente mais tolerantes) ao novo e às constantes inovações tecnológicas. Recentemente, meu pai já na casa dos 60 anos foi renovar a sua carteira de habilitação e ao ouvir seu relato sobre o sucesso na avaliação do Detran, perguntei-lhe qual a parte mais difícil da prova. Ele prontamente me respondeu:
- Foi guiar aquela setinha na tela do computador! Não sei porque essa invenção de tudo agora ser com computador!
Algumas tecnologias marcam tanto, que as inovações não conseguem apagar-lhes por inteiro. É o caso dos mais modernos aparelhos celulares ainda utilizarem o termo “chamadas discadas” quando sabemos que a uns bons anos não fabricam mais telefones com discos e sim com teclas.
Quando a atuação profissional é especificamente na área da tecnologia da informação, como no nosso caso, as atualizações não são somente desejáveis e sim imprescindíveis para manter-se “vivo“. A sequência: Treinamento -> Certificação -> Prática, faz-se cada vez mais necessária no mundo da TI. São os sistemas operacionais, os sistemas gerenciadores de bancos de dados, as linguagens de programação, todos em marcha de renovação constante. E claro que os ganhos com estas mudanças são inegáveis.
Que me perdoem os Neoludditas, mas tecnologia é fundamental!

Robson Dias - Analista de Tecnologia, DBA e Sócio da Polo-IT.